Arqueologia em S. João da Pesqueira
As primeiras comunidades no concelho de S. João da Pesqueira, surgiram à cerca de 7000 anos.
Aqui esses primeiros povoados encontraram áreas para caçar, construiram espaços funerários, erigiram recintos amuralhados no cume das elevações e, acima de tudo, espaço onde se puderam estabelecer.
Conheça os espaços dos nossos antepassados que poderá visitar.
PINTURAS RUPESTRES DA FRAGA D´AIA
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Um dos locais com maior expressividade a não perder é o abrigo com pinturas rupestres da Fraga D’Aia.
Conhecido por “Penedo dos Macacos”, neste abrigo realizaram pinturas em tons de vermelho, com uma provável conotação religiosa. Datável dos inícios do IV milénio a.C.
Aqui é observável um painel representando a caça a um cervídeo, e um segundo painel com motivos antropomorfos, seres humanos, zoomorfos e animais.
Pelos resultados obtidos, verifica-se que as comunidades que utilizaram este espaço, tinham uma base económica de cariz agrícola, sendo também suportada pela caça e pela pastorícia que passou a ser um fator de fixação das comunidades Pré-Históricas. Ao localizar-se próximo do rio Távora, pode-se também incluir a atividade piscatória como um suporte de subsistência destas comunidades.
DÓLMEN DE AREITA
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É sem dúvida um dos mais imponentes sepulcros megalíticos da região e originalmente fazia parte de uma necrópole de cinco monumentos megalíticos.
É composto por uma câmara poligonal de sete esteios, corredor médio e uma mamoa em terra que circunda todo o monumento. É ainda de destaque a gravura na pedra central, com poderá ver na imagem em baixo:
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Através de ossadas, aqui foram encontrados sepultados um número mínimo de seis indivíduos. Pelas características dos artefactos e datações realizadas, podemos situá-lo cronologicamente nos finais do IV milénio a.C.
Os materiais encontrados nestes monumentos, machados, enxós, goivas, pontas de setas, contas de colar e vasos cerâmicos, refletem o modo de vida das comunidades que construíram estes sepulcros, como também fortes crenças religiosas, presentes em diversas gravuras nos esteios 4 e 7 da câmara do monumento
S. SALVADOR DO MUNDO
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Encontram-se aqui cerâmicas que datam do neolítico final e Calcolítico, II° milénio a.C.
Algumas fragas junto ao cimo do monte possuem várias gastras, goteiras de escorrimento e mesmo degraus talhados para o seu acesso. Observamos isto entre a Capela n°6 e os Penedos de Judas, aí se encontram degraus que levam à rocha plana com uma inscrição e às gastras.
Exitem outros vestígios como o "pio" rectangular ao nível do solo, no núcleo dos Penedos de Judas. Tudo leva a crer que estamos em S. Salvador do Mundo perante um santuário proto-histórico.
S. Salvador do Mundo também teve ocupação romana, fortemente verificável pelos abundantes fragmentos de tegulae, o que leva a concluir terem existido vários edifícios cobertos com este material em várias épocas.
Além das tegulae, tem sido encontrada cerâmica deste período, como terra sigilliata decorada do século IV d.C. Vários são também os achados de moedas de bronze de Constantino (352-354 d.C.)
Existem ainda duas inscrições do período Romano. Uma encontra-se atualmente embutida na parede de entrada. da capela principal, a outra encontra-se danificada junto à Fraga do Diabo.
NECRÓPOLE MEGALÍTICA
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Datado do IV/III milénio a.C., esta necrópole situa-se no lugar da Sr.ª do Monte em S. João da Pesqueira e era originalmente constituída por três monumentos. Hoje, apenas persiste um exemplar.
Este espaço funerário utiliza o xisto para a definição da câmara funerária com a colocação de esteios, em oposição ao uso do granito na área sul do território, e de quartzo na mamoa circundante ao monumento.
MUSEU EDUARDO TAVARES
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No Museu Eduardo Tavares, em S. João da Pesqueira, encontra-se em exposição o espólio arqueológico do território de S. João da Pesqueira. Para além dos artefactos encontrados na Fraga D’Aia, no Dólmen de Areita e em outros locais, o museu possui ainda em exposição um Berrão originário de Paredes da Beira que possui no dorso a inscrição AMBROECON.
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CUPAE DE TREVÕES
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Da presença romana, existe uma cupae de granito, anepigráfica, de pequenas dimensões. Atualmente a peça integra o espólio do Museu de Arte Sacra de Trevões. Estas lápides funerárias em forma de pipo, estão relacionadas com o ritual de incineração, utilizadas entre os séculos I e III d.C. e perpetuam um rito mais antigo em que os mortos eram depositados em pipas de madeira.
POVOADO DA SR.ª DA ASSUNÇÃO
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O povoado da Senhora da Assunção, fazia parte de um conjunto de povoados que ainda hoje se encontram neste território (Carapito, Reboledo, Castelo Velho, Chãs de Murganho, Outeiro Alto, Castelinhos). Este povoado situa-se a norte do atual espaço urbano de Paredes da Beira.
Possui muralha com cerca de três metros de largura e com metro e meio de altura. A existência desta muralha pressupõe desde logo o carácter defensivo e estratégico deste local, e a sua ocupação ao longo de vários séculos, da qual se encontram vestígios no interior do recinto, não só pelas estruturas em granito, como também pelos artefactos cerâmicos recolhidos. Ao longo dos tempos teve várias ocupações, destacando-se a Idade do Bronze (final), do Ferro e Medieval. Para além desta linha de muralha e de ruínas das estruturas habitacionais existentes no seu interior, foram encontradas diversas cerâmicas lisas, de produção manual e a torno.
DOCUMENTÁRIO
Conheça mais sobre alguns destes lugares.
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